THE BOOK — UM REALITY SHOW PARA ESCRITORES

#EPISÓDIO 4 — A ELIMINATÓRIA

Estou entre os 12 selecionados do primeiro reality show para escritores do Brasil. Fui contemplado com a Renata Sakai como mentora, uma pessoa e profissional maravilhosa. É tempo de focar no que sei fazer de melhor: escrever. No último encontro fomos desafiados a escrever a apresentação e a introdução do livro que estamos construindo dentro do reality.

Eu estou começando quase do zero: tenho uma ideia central para o livro, um público alvo e uma promessa, a transformação que intenciono causar em quem ler. Meu livro é sobre autoconhecimento para homens: nele conto como aprendi a ser homem, como desconstruí estereótipos masculinos, como venho construindo outras masculinidades e como estou unindo milhares de homens nesse processo — reconhecer, desconstruir, reconstruir e compartilhar.

A apresentação é o prefácio, um trailer, que dá um vislumbre geral do tema do livro. Normalmente é escrito por uma pessoa convidada, só que nesse caso eu mesmo vou escrever. Já a introdução é um pouco mais detalhada, mais longa e aprofundada — mas sem entregar o ouro do livro. Tem que deixar aquele gostinho de “quero mais”. Para deixar tudo mais interessante, temos um limite de toques (caracteres contando os espaços). Podemos escrever no máximo 3600 toques, umas duas páginas de texto.

E agora, por onde começo? Pela apresentação? Faço um roteiro? Escrevo melhor minha ideia central do livro?

Decido começar pela escrita livre, é o que faço quando sinto o bloqueio chegar. Pego meu caderno azul com folhas sem pauta, e, com minha caneta em posição, solto a mão. Deixo meus pensamentos fluírem sem travas. Escrevo minhas dúvidas, medos, julgamentos, coloco tudo para fora no papel. Peço ajuda. No meio do texto — para meu alívio — algumas dicas vão surgindo, palavras e expressões que posso usar, às vezes uma frase ou outra. Escrevo três páginas, como sempre faço. Pronto, agora posso começar a ser mais objetivo.

Partindo do que fiz livremente, decido começar a apresentação com algumas perguntas.

O que é ser homem?

O que é ser homem de verdade?

O que significa ser um homem melhor?

Essas são as perguntas que vou abordar no livro, são elas que me guiam.

Já na introdução vou mais além, e começo a inserir pequenas cenas. Fazendo um parênteses, o Luiz Antonio de Assis Brasil, o mais antigo professor de escrita do Brasil, me ensinou que só existem dois tipos de escrita: cena ou sumário. A cena você sabe, é o que fiz quando falei da minha escrita livre. Você descreve o lugar, as sensações, as emoções. Todo mundo gosta de cenas. Já o sumário é mais uma lista, algo mais difícil de visualizar. Temos que tomar cuidado com os sumários, as pessoas se perdem neles.

Na minha introdução trago algumas verdades sobre ser homem na nossa sociedade, algumas cenas que me marcaram, e o ponto que me fez começar a buscar o autoconhecimento (na época eu nem sabia o que essa palavra significava). Escrevi e depois parti para a revisão, a terceira etapa do processo — escrita livre, escrita objetiva, revisão.

Deixei dormir uma noite e mandei para algumas pessoas de confiança. Outros olhares engrandecem o texto, ainda mais nesse estágio embrionário. Revisei com cuidado, lapidei para caber nos 3600 toques, fiz meu melhor. Enviei. Agora é esperar.

No dia do programa eu estava, digamos, um pouco ansioso. Já a Fran estava mais nervosa que motoboy atrasado. Era a primeira eliminatória, e ninguém quer sair primeiro, né? Mas é o jogo, são as regras.

Para decidir quem fica e quem sai, tivemos quatro pessoas nos avaliando, dando notas de 0 a 10 com base em critérios. Essas pessoas são profissionais do mercado literário, que honra, né? Foi para isso que eu entrei, para poder estar em contato com essas pessoas.

Chega a hora do resultado. É agora, ou fica ou sai. Eles projetam uma tela com uma tabela, que mostra na primeira coluna o nome da pessoa e nas outras colunas as notas dadas, por ordem de classificação.

E a primeira pessoa colocada na avaliação de hoje é…

A FRAN!

Com notas de 9,8; 9,5 e 9,5 ela pula e com os braços para cima comemora com sua dancinha da vitória.

Em seguida vem a segunda pessoa classificada. Não sou eu.

A terceira. Ainda não.

A quarta. De novo não.

Cadê eeeeeeu?

Me levanto, em uma mistura de entusiasmo e impaciência.

E, em quinto lugar… Juliano Poeta!

Me junto à Fran na dança da vitória!

“Não é hoje Brasil, não é hoje!!! OBRIGADO BRASIL!!”

Os próximos classificados são anunciados, até o décimo. O Anderson, apresentador do programa, para e anuncia: “E agora eu vou abrir quem vai, infelizmente, sair hoje na nossa eliminatória… e com vocês… em 11º lugar ficou a Suzana, e em 12º a Kaká”.

“Ai, Kaká…”, eu e Fran lamentamos juntos. A Kaká também trabalha com autoconhecimento, é uma pena que saia tão cedo. Esse lance da eliminação é assim, dói mas é um aprendizado necessário.

Será?

Agora temos uma nova missão: escrever o primeiro capítulo do livro. Vamos ter até 6300 toques para isso, mais espaço para criar. E mais uma pessoa para ser eliminada.

Esse novo desafio — e uma grande novidade que mudou o jogo — eu te conto no próximo capítulo do THE BOOK — UM REALITY SHOW PARA ESCRITORES.

Até mais!

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